ULTRA-SONOGRAFIA MAMÁRIA X MAMOGRAFIA

ULTRA-SONOGRAFIA MAMÁRIA X MAMOGRAFIA

QUAL SERIA A MELHOR INDICAÇÃO ?

Por Dr. Cesar R. Camargo  
Fonte:medicinadiagnostica

O propósito da abordagem deste tema Ultra-sonografia Mamária versus Mamografia é ressaltar a importância dos dois métodos na avaliação das mamas e principalmente na prevenção do câncer mamário.

Até algum tempo atrás, se discutia qual seria o melhor método de imagem para as mamas e existiam opiniões variadas e até conflitantes.

Hoje, existe um consenso quase geral que os dois métodos se complementam e se constituem em armas poderosas na luta preventiva contra o câncer mamário e que devem ser usadas na correta avaliação mamária.

A mamografia vem sendo utilizada há mais tempo que a ultra-sonografia e hoje consiste no melhor método de screening na detecção do câncer mamário incipiente, preconizado pela OMS - Organização Mundial de Saúde, já que detecta pequenas imagens nodulares e ainda as microcalcificações agrupadas, que levantam invariavelmente a suspeita de malignidade.

O maior problema do exame mamográfico surge quando nos deparamos com mamas densas, isto é, mamas ricas em tecido fibroglandular, que impede a distinção adequada entre o tecido normal da mama e possíveis nódulos ou massas mamárias presentes.

Nestas situações, temos a necessidade de complementação diagnóstica através da ultra-sonografia, já que a imagem ultra-sonográfica é bastante elucidativa e faz a distinção entre nódulos e cistos e também entre estas estruturas e o tecido mamário normal ao seu redor, com bastante facilidade.

Quando há predomínio do tecido glandular nas mamas, nas pacientes jovens ou nas pacientes sob terapia de reposição hormonal (TRH) na pós-menopausa, está indicada a ultra-sonografia mamária. Neste ponto, devemos salientar que a mamografia é contra-indicada pois, além da radiação desnecessária, o exame não fornece qualquer tipo de informação segura.

Outra situação em que a ultra-sonografia mamária é o método mais indicado é diante de uma imagem nodular mamária na mamografia e, como sabemos, não temos como diferenciar um nódulo sólido de um cisto. Ao utilizar a ultra-sonografia como complementação, a diferenciação é imediata e fácil, já que os cistos são anecóicos à ultra-sonografia (aparecem como estruturas negras na mama).

Por outro lado, pequenas alterações no parênquima, microcalcificações ou nódulos pequenos e espiculados somente são visualizados na mamografia da paciente na pós-menopausa. Por isso, é o método mais indicado nesta situação.

Resumindo, sugerimos que as indicações de exame ultra-sonográfico das mamas ou a mamografia, devem seguir o seguinte critério:

• Pacientes jovens com nódulo mamário palpável: Ultra-sonografia.
• Pacientes no período pós-menopausa, com ou sem nódulos palpáveis nas mamas: Mamografia.


COMPLEMENTACÕES

• Pacientes na pós-menopausa sob TRH com ou sem nódulos........Ultra-sonografia com eventual complementação com mamografia.

• Pacientes entre 20 e 35 anos com nódulo palpável: Ultra-sonografia
com eventual complementação com mamografia.

• Pacientes com mais de 35 anos ou na pós-menopausa com ou sem nódulos mamários
palpáveis.......Mamografia com eventual complementação com ultra-sonografia.

• Pacientes com próteses mamárias com ou sem nodulações.........Ultra-sonografia com eventual complementação com mamografia.

• Pacientes no período da lactação com nódulo mamário palpável....Ultra-sonografia com eventual complementação com mamografia.

• Pacientes gestantes com nódulo mamário palpável.......................Ultra-sonografia.
(somente em casos extremos pode-se realizar a mamografia com proteção do abdome gravídico).

Para finalizar, devemos lembrar que, tanto a mamografia como a ultra-sonografia são métodos de investigação anatômicos, isto é, avaliam somente a anatomia, devendo caber ao estudo histopatológico a confirmação diagnóstica definitiva das lesões eventualmente encontradas nas mamas.



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